Introdução

um mundo
de possibilidades
e colapsos

Uma nova realidade vem sendo impulsionada por algumas poderosas mudanças de paradigmas:

A tecnologia que mudou tudo, invadiu nosso cotidiano, nossas relações pessoais e nossos hábitos. Onipresente, ela permite acesso às mesmas informações, criando uma sociedade com experiências globais.

Uma nova sociedade conectada que se tornou mais livre: condutas antes recriminadas pela moral podem ser exploradas livremente, criando um ambiente rico, e indivíduos cada vez mais autênticos.

Hoje temos o poder de descobrir e acessar qualquer conteúdo, produto ou serviço em qualquer lugar do mundo. Com toda essa informação, cresce a demanda por personalização em todos os setores.

Consequentemente as aspirações também mudam. O questionamento “se dinheiro realmente traz felicidade” fica cada vez mais forte, e surgem novas buscas para definir o que é status hoje.

Por isso vivemos um momento de instabilidade, de mudanças velozes, onde toda tendência de comportamento gera uma reação oposta e igualmente impactante. Enquanto algumas pesquisas identificam o crescimento da desigualdade social, outras apontam o crescimento da classe média e do poder aquisitivo. Uma corrente de pessoas abraça o mundo livre e globalizado enquanto outras defendem o foco no local e nas antigas definições de moral.

Já vivenciamos as consequências desse mundo conectado e polarizado, nas recentes eleições, nas comunidades, e nas redes sociais. Mas encontramos um elemento em comum nos opostos: sentimentos, opiniões e atitudes extremas e apaixonadas.

A natureza espelha as incertezas da sociedade. Observamos cada vez mais incidentes climáticos nunca vistos. Identificamos uma crescente preocupação com enchentes e falta de água potável para um futuro próximo. Nesse caso a certeza é que o caos climático vai estar cada vez mais presente, e podemos contar com uma ou mais ocorrências anuais.

A questão é: Como vamos nos preparar para esses novos tempos onde tudo acontece ao mesmo tempo, agora?

O aumento da complexidade gera diversidade. No mundo em rede, não existe espaço para padrões e uniformidades. É natural que aconteçam catástrofes pela maneira com que os seres humanos ocupam espaços e se integram na Terra e na natureza."


Denis Russo. Especialista em Sistemas Complexos


65%

65% dos adultos concordam


que hoje as pessoas estão


menos dispostas a considerar


pontos de vista opostos.



IBAV Consulting. Pesquisa Clobal 2016



Estamos em um processo de transição, nossa sociedade está mudando a própria lógica. Da verticalização para a horizontalização. Vamos nos adequar aos sistemas de redes."

2/3

2/3 da população mundial vai


lidar com falta de água até 2025.



Looking Further with Ford. 2016


Case Study

WATERSTART LAS VEGAS

WaterStart é um grupo de líderes globais focados em inovação no setor de distribuição de água. O grupo foi fundado em Las Vegas, uma cidade no deserto que depende principalmente do Lago Mead, que tem previsões de secar completamente até 2036. Sua proposta é conectar setores acadêmicos, públicos e privados para criar soluções para o futuro da água. Seus parceiros têm recursos estratégicos necessários para estimular as inovações nessa área, incluindo: agências de gestão de água, empresas de tecnologia, e formuladores de políticas.


Depois da Modernidade Sólida, um período de guerras com foco em desenvolvimento de um futuro melhor, uma busca profunda por utopias, entramos na Pós-modernidade descrita como a “Modernidade Líquida” pelo sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman. Uma sociedade focada no agora, no indivíduo, guiada pelo mercado com objetivos econômicos capitalistas.

É possível ver as consequências dessa corrente de comportamento hoje: tanto na resistência em voltarmos a uma estrutura mais sólida quanto na busca por tornar os resultados dessa fase em algo mais sustentável. Quais são as forças que impulsionam hoje a nova Sociedade Fluida?


Case Study

Momondo DNA Travel

A Momondo, uma empresa de viagens dinamarquesa, lançou uma campanha mostrando pessoas fazendo teste de DNA para descobrir sua origens. O vídeo mostra pessoas com comportamentos extremistas e algum preconceito ao descobrir que seus ancestrais, muitas vezes, são parte dos grupos discriminados. As reações são muito emocionantes, e muitos admitem estar enxergando o mundo de outra forma. A ideia viralizou e agora criaram outra campanha em parceria com uma empresa de teste de DNA onde 500 pessoas que fizerem o teste serão selecionadas, e um vencedor fará a “Jornada do DNA” e visitará os locais de onde veio.


Em um cenário de constante instabilidade, a adaptabilidade é crucial para a sobrevivência. Enquanto alguns já vêm com a maleabilidade no seu DNA, outros se esforçam para adquirir essa habilidade crucial para prosperar nestes novos tempos. Vivemos um momento de flexibilização.


Case Study

Choi Nori

Choi Nori é um serviço de seguro da Tokio Marine oferecido para pessoas que não possuem carro e dirigem esporadicamente. O serviço pode ser contratado de qualquer local por um aplicativo mobile. Motoristas que contratam o serviço e não tem sinistros, ganham pontos para obter descontos quando comprarem seu primeiro serviço de desconto anual

Toda a transação é feita rapidamente, preenchendo dados simples como nome, data de nascimento, endereço, carteira de motorista, placa do veículo e dia que está dirigindo. O valor do seguro já é debitado junto a sua conta de celular.

O Choi Nori também tem como objetivo manter o hábito da contratação de seguros para grupos que não tem mais essa tradição, como jovens motoristas que não investem em seguros por conta do custo alto.


Crise econômica, busca por relações de trabalho flexíveis e o desejo de atuar com propósito, são apenas alguns dos ingredientes que tem mudado o comportamento e cotidiano das pessoas. A quantidade de desempregados, profissionais liberais e empreendedores vem crescendo nos últimos anos, em paralelo jovens ficam cada vez mais desencorajados com as jornadas de educação e carreira tradicionais.

Esses indivíduos fora dos moldes conhecidos são a nova força de trabalho e os novos consumidores, forçando uma adaptação dos modelos de negócio como conhecemos hoje.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Seguindo a vertente das mudanças identificadas na sociedade, os novos empreendedores apresentam uma característica muito interessante. As pessoas que não se sentirem contempladas pela visão de nenhuma empresa, ou apenas possuírem um perfil mais aventureiro, irão criar suas próprias empresas. Isso, trabalhado de uma maneira adequada, pode representar uma oportunidade pouco explorada para as seguradoras.

Para alguns jovens empreendedores, o conceito de seguro pode ser associado a algo antiquado, caro e complicado de se entender. As seguradoras que pretendem atender este público terão que adaptar suas ofertas. Coberturas, vigências e preços deverão se tornar moldáveis para as necessidades do empreendedor e sua empresa. Caso contrário, estes novos empreendedores dificilmente contratarão um seguro tradicional, e recorrerão à alguma das novas empresas entrantes no mercado.

Novamente, este desafio de conseguir assegurar coisas que vão além de bens físicos aparece para as seguradoras. O número de startups cresce vertiginosamente no Brasil, e estas precisam de um respaldo para conseguirem se estabilizar. Atender este público pode apresentar algumas ameaças, como a instabilidade financeira de uma empresa recém-criada. Mesmo assim, estes novos empreendedores ditarão o ritmo do mercado no futuro, e entender as suas necessidades será fundamental para as grandes seguradoras.

620

MILHÕES


de jovens não


estão trabalhando


nem estudando.



World Bank Jobs Report, 2012



6/10

Em 2016; 6 entre 10 vagas de


trabalho encontradas por


jovens são informais, sem


contratos, benefícios ou


previdência social.



World Economic Forum, junho de 2016


Case Study

PEERS

Peers é uma plataforma que ajuda a conectar pessoas com oportunidades de monetizar seus bens, suas habilidades profissionais ou até seus hobbies. Depois de selecionar suas ofertas, o site direciona para fazer um cadastro completo, dar informações mais detalhadas, e finalmente fazerem a inclusão à rede de prestação de serviços.

O interessante dessa plataforma é que o modelo se torna rentável através da venda de seguros e planos de aposentadoria, muito relevantes para profissionais autônomos.


As grandes mudanças na sociedade vêm da convergência de fortes tendências. Com a flexibilização de comportamentos, legislações e cada vez mais liberdade de ser autêntico, os formatos de família ficam cada vez mais diferentes.

Com a tendência da flexibilização atuando dentro dos formatos de família, como é possível repensar ofertas mais flexíveis para atingir esse público com real empatia?


Case Study

SNOO

Snoo é um berço tecnológico com microfones, sensores e caixa de som. O berço balança automaticamente, simulando o movimento do ventre, quando reconhece que o bebê está chorando.


Flexibilidade, foco na carreira e tranquilidade financeira não são ideias associadas a vida de novos pais. Essas tendências impulsionam cada vez mais pessoas escolherem ter pets, e não filhos.

Parte da energia que se colocava na criação dos filhos vai para os pets, que hoje tem serviços de creche, são tratados com homeopatia e medicina chinesa e vão para verdadeiros spas enquanto seus “pais” estão viajando.

Se os pets tem tanta importância, eles também precisam estar seguros. Com esse modelo familiar cada vez mais comum, também cresce a oportunidade de atender melhor às necessidades desse público.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Quando se pensa em Pets, é possível afirmar uma coisa: os animais de estimação já fazem parte das famílias, independente da classe social delas. Esse movimento de “humanização do animal” é cada vez maior no mundo, e representa uma grande oportunidade que ainda não é explorada adequadamente pelas seguradoras.

Seguros feitos exclusivamente para os animais, serviços atrelados à seguros já existentes, coberturas extras para seguros familiares de vida, seguros assistenciais para cuidadores e espaços clínicos. As opções são diversas, e ainda é cedo para apontar qual delas é a mais adequada para a realidade atual do setor, e satisfará melhor as necessidades dos consumidores. Porém, a empresa que não explorar esse público irá perder uma fatia significante do mercado, e isso não vai demorar a acontecer.

Novamente, a crescente preferência das pessoas por experiências ao invés de bens se faz presente. E, novamente, o Pet não pode ser tratado como objeto, ele deve ser tratado como uma parte da vida das pessoas. Parte essa que deve estar segura, e bem resguardada pelas seguradoras.

390

DÓLARES


Nos Estados Unidos


donos de gatos gastam


em média 390 dólares


com cuidados médicos


para cada animal.



Harris Interactive 2015


Case Study

VETPRONTO

As alternativas de adequação entre médicos e pacientes a um custo mais acessível já chegaram ao mundo pet. A VetPronto é uma empresa que tem como objetivo fazer com que as visitas ao veterinário sejam menos estressantes para os animais de estimação e seus donos. A empresa cobra US $ 150 por visita, e os veterinários vão para a casa do proprietário realizar uma variedade de serviços check-ups de rotina até cuidados de fim de vida, reconhecendo que as pessoas podem preferir passar por essa situação difícil no aconchego do lar.


Um dos principais impactos de uma sociedade complexa e flexível é que precisamos de novas lentes para compreendê-la. Homens estão dispostos a assumir a responsabilidade pela criação dos filhos enquanto mães focam em suas carreiras, mulheres passam a ser uma inspiração na forma de dirigir, e idosos são usuários ativos das redes sociais.

Os antigos critérios de idade, sexo, localização, renda, estado civil e etc. não são mais ferramentas adequadas para mapear padrões de consumo.

Se no universo de seguros existia uma clara distinção demográfica entre seus clientes e os que não aderem ao serviço, essas regras podem começar a ser subvertidas antes do que imaginamos. Mas enquanto as regras valem no Brasil, porque não utilizar o conhecimento dos pós-demográficos para abordar os UNINSURED com novas ferramentas?

73%

73% de 1000 aplicantes para


um curso de programação


na Biblioteca Pública de


Nova Iorque eram mulheres.



Biblioteca Pública de Nova Iorque, Junho de 2015



Hoje há uma modificação no caráter do comportamento do consumidor brasileiro de maneira geral, é uma forma de pensar e agir, gente que usa os equipamentos digitais com muita proficiência. Se temos conteúdo segmentado e personalizado no Netflix, por que não ter um seguro assim?”.


Jacques Meir, Especialista em consumidor brasileiro


Case Study

NETFLIX

A Netflix, um dos maiores serviços de streaming de vídeos do mundo, com presença em mais de 130 países, tem como base do seu trabalho a análise de dados. Seus algoritmos assim como seus especialistas possuem habilidades analíticas para personalizar o atendimento, distribuir conteúdo e conhecer os hábitos dos clientes.

Baseando-se no comportamento do usuário na rede a Netflix pode prever e recomendar o estilo que mais combina com ele, como também criar com inteligência filmes e séries de sucesso.


No nosso cenário polarizado, passam a conviver: as mulheres que aceitam serviços e produtos criados para elas, com base em características associadas ao sexo feminino e aquelas que enxergam isso como preconceito. Esse é um assunto polêmico e crescente, o que define uma mulher? Quando criamos um produto para um nicho, ele é um nicho real, definido por comportamentos e necessidades ou por velhos paradigmas que estão sendo contestados?.

No mundo dos pós-demográficos olhar as mulheres como sexo frágil que precisa ser empoderado pode ser eficaz para um segmento, mas pode estar ignorando completamente um novo modelo que só cresce. Marcas como a C&A já estão criando coleções e campanhas sem-gênero, e sofrem grande repercussão quando erram nos seus posicionamentos.

Essa ótica vale para o assunto de minorias em geral. Como as empresas podem ofertar produtos por nicho sem propagar estereótipos?

No Reino Unido a maioria


dos gamers já são do


sexo feminino, existem mais


jogadores acima de 44 anos


do que com menos de 18 anos.



Internet Advertising Bureau, September 2014



O desafio para o setor de marketing será comunicar-se com as mulheres como se fossem pessoas, e não defini-las com status de “solteira” ou “casada”.


Rebecca Traister, Autora de All the Single Ladies, 2016



10.4%

Qual porcentagem


de bilionárias no mundo


2014 - 9.7%


2015 - 10.7%


2016 - 10.4%



Forbes 2016 World’s Billionaires: Meet the Richest People on the Planet.” March 1, 2016


Case Study

BECHDEL TEST

O Bechdel Test é uma métrica para avaliar a presença de mulheres em filmes. Os quesitos são: se o filme tem no mínimo duas personagens mulheres, com nome, se elas conversam entre si, e se o diálogo é sobre algum assunto que não seja, homens. O que é impressionante sobre o teste, que parece simples, é que metade dos filmes produzidos entre 1970 e 2013 não passam no teste. O impacto financeiro também é interessante, os filmes aprovados têm em média $2.68 de retorno por dólar gasto, enquanto os que não passam tem apenas $2.45. Os números são similares quando aplicados a uma métrica global, de filmes com lançamento mundial.


Todas essas quebras de paradigmas representam um desafio, como mapear um cenário tão complexo? Da mesma forma que a tecnologia impulsionou as mudanças, ela também oferece soluções para navegá-las.

Nesse contexto, áreas de conhecimento como psicologia, sociologia e antropologia são cada vez mais integradas as soluções tecnológicas, permitindo o processamento e análise da imensa quantidade de informação necessária para compreender a nova sociedade global.


Case Study

GASOLEAD

A AXA Strategic Ventures, empresa que também oferece Seguros, adquiriu a Gasolead. A Gasolead é uma plataforma que gera leads ultra direcionados utilizando bots inteligentes. Com o financiamento da AXA a solução será adaptada para desenvolver um assistente virtual para ajudar agentes de seguros a gerar mais leads digitais na Europa.

Um dos seus objetivos é mapear informações para que as empresas de seguros possam alcançar seus leads de forma mais objetiva, com indicações de horários ideias para envio de email. O Bot já analisa os dados de resultado de campanha para se tornar cada vez mais assertivo.


Todas as ações causam reações, e a reação à invasão do Big Data nas nossas vidas foi imensa.

A estratégia da campanha do Donald Trump tem sido alvo de profunda especulação. A maior hipótese é que sua equipe utilizou as redes sociais não só para mapear mindsets, mas também para disparar mensagens distintas e muitas vezes contraditórias que ficariam protegidas pelas bolhas criadas pelos algoritmos que controlam os feeds de notícias.

Teorias como essa estão por trás do grande questionamento do uso do Big Data. As pessoas não querem que suas informações sejam colhidas para serem analisadas e se tornarem ferramentas de manipulação.

A falta de privacidade também coloca em xeque a segurança, e passa dar acesso à vida das pessoas, cada vez mais conectadas à tecnologia.

2.5

TRILHÕES


A Business Insider prevê que


entre 2015 e 2020, 2.5 trilhões


de dólares serão gastos com


desenvolvimento de aplicativos


e perto de 1 trilhão


em segurança.



Case Study

APPLY MAGIC SAUCE

Apply Magic Sauce é uma ferramenta capaz de prever comportamentos e traços psicológicos baseados no comportamento das pessoas em redes sociais como o Facebook e o Twitter. Ela é apelativa para permitir o uso porque viabiliza insights de como o mundo está observando o usuário baseado em seu comportamento nas redes, mas também é crucial para empresas conseguirem planejar estratégias de acordo com essas informações.


Por mais que o impacto do Big Data já seja imenso, o uso dessa inteligência ainda está nos seus primórdios. Enquanto as empresas do Vale do Silício já enxergam suas possibilidades e passam a integrar o conhecimento em todos os seus processos, as demais empresas ainda encaram seu uso como um futuro distante, uma tecnologia inacessível, e que só tem coerência no seu próprio universo digital.

Em um mundo cada vez mais difícil de se mapear por sua complexidade é fundamental olhar como a tecnologia pode fazer parte dos seus processos, independente do seu setor para gerar entregas cada vez mais personalizadas.

Como o Vale do Silício e as Startups não ficam para trás, estão surgindo cada vez mais aplicativos para facilitar a integração dessa tecnologia aos modelos de negócios.Empresas que estiverem atentas ao potencial de inserir essa inteligência como parte da sua cultura vão sair na frente no mundo de possibilidades que nos aguarda.

Porque essa tendência é importante para o setor?

As pessoas podem ou não estar cientes disso, mas suas informações estão sendo coletadas a todo o momento. A excelência na utilização desses dados para uma melhor compreensão do mercado e criação de produtos e serviços mais assertivos é papel das companhias que enxergam além e focam em entregas que surpreendam e criem engajamento em seus clientes. É preciso enxergar esta fonte de informação como uma ferramenta para se aproximar do mercado, usando estes dados para uma precificação mais justa e personalizada, por exemplo.

Big Data, ou seja, um grande volume de dados armazenados, não é uma realidade muito distante, visto que muitas startups do ramo de seguros já fazem uso desta fonte para criar produtos e serviços inovadores. O que se faz necessário é um rompimento da barreira psicológica que, muitas vezes impede a aceitação de recursos disruptivos, que saem do fluxo mais tradicional, como fonte de conhecimento e de evolução.

Além disso, não basta criar produtos em volume, que continuem não entregando valor percebido para o público: a concorrência está atenta e acirrada, e um passo em falso pode manchar o nome da companhia. O desafio é ser assertivo nas novas ofertas, e saber como comunicar isso ao público.

Trabalhar digitalmente no seguro é um desafio... Seguradoras tradicionais não têm os recursos técnicos, nem a convicção geral para mudar isso muito em breve. Existem inúmeros exemplos de APIs que funcionam, mas as pessoas encarregadas não vêem a necessidade de usá-los, porque o sistema de papel atual, de alguma forma, ainda está funcionando.”


Chris Skinner, InsurTech: changing the world of risk


Case Study

METLIFE

A MetLife é uma seguradora americana especializada em seguros de vida. Em 2013 a empresa lançou uma plataforma chamada MetLife Wall, que possui uma interface gráfica similar ao Facebook, mas com foco em agilizar interações entre os corretores de seguros e os clientes, permitindo que os corretores possuam um canal centralizado com todas informações de seus clientes e uma melhor compreensão do perfil de cada um deles.

A MetLife Wall coloca todas as informações de clientes relacionadas e vinculadas em um histórico similar ao do Facebook. O aplicativo oferece todas as informações necessárias para que os corretores possam atender de forma rápida e fácil os clientes da MetLife.

A plataforma mantém um registro de todas as interações que cada cliente teve com a MetLife e em todos os seus pontos de contato, como o call center, interações pessoais com agentes, assim como reivindicações e atualizações de políticas. A plataforma ainda possui um cronograma completo de todas transações realizadas pelos clientes.


Boca a boca sempre foi fundamental para negócios. Hoje, com o poder das redes sociais, clientes podem ser uma poderosa ferramenta de marketing e por isso a forma de interagir com eles deve ser revista.

Atendimento ao consumidor não deveria ser um departamento, deveria ser a empresa inteira.”


Tony Hsieh, CEO da Zappos


Case Study

WEGOLOOK

We Go Look é uma empresa de mais de 30,000 profissionais de campo prontos para fazer inspeções e diferentes tarefas customizadas dependendo da necessidade do cliente. A empresa tem uma seção especial para seguradoras, onde oferecem serviços de análise de sinistros, para inspeções sem que o cliente precise sair de casa. Os profissionais podem avaliar bens, receber e entregar documentos, entre outros.


O que define um serviço premium hoje? A expectativa na verdade é que tudo seja feito de forma simples. Pela ótica do cliente as interações com a marca devem ter fluidez, suas expectativas devem ser alinhadas e alcançadas, e principalmente, precisam funcionar dessa forma nos momentos de imprevisto, onde as coisas realmente dão errado, e você mais precisa do apoio da empresa.

É claro que, no fundo, isso significa ter a capacidade de compreender pessoas, gerar experiências únicas, e estar pronto para os imprevistos. Quem consegue entregar isso por um preço justo, ganha.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Muitas pessoas estão dispostas a pagar mais por caro um serviço se souberem que terão uma entrega excepcional. O serviço tem que ser uma experiência única, e o cliente tem que sentir que o produto foi feito especialmente para ele. É nesse contexto que as empresas com um posicionamento premium devem pensar em remodelar seu plano de negócios. A experiência do consumidor deve ser fácil, sem burocracias. Cada cliente deve se sentir único, tendo as suas demandas atendidas com personalização, e com a maior agilidade possível.

No setor de seguros, essa transformação já começa a dar indícios. Diversas Insurtechs estão surgindo, driblando barreiras governamentais e setoriais, conseguindo providenciar ofertas cada vez mais personalizadas, e resolvendo as necessidades dos seus clientes cada vez mais rápido. ThinkSeg, Youse, Minuto Seguros e Sossego são só alguns exemplos no Brasil.

Enquanto isso acontece, as grandes seguradoras passam por um momento de incerteza, tentando driblar estas mesmas barreiras, porém, com uma dificuldade muito maior, por conta de seus respectivos tamanhos, número de stakeholders atingidos em cada decisão, e burocracias internas que atrasam a inovação. Se estas empresas não conseguirem encontrar maneiras de se renovarem, mais um setor será conquistado por players novos.

70%

No Brasil 70% dos adultos


concordam que empresas


são responsáveis por melhorar


a vida dos seus consumidores.



Looking Further with Ford Trend Report 2017



Quais são as melhorias


mais requisitadas?


40% Melhor atendimento


humano


20% Integração de Canais


15% Conteúdo Melhor


15% Avatares ou Assistentes


Online


7% Outros


5% Apoiar comunidades locais


7% Outros


Looking Further with Ford Trend Report 2017


Case Study

LEMONADE

A Lemonade opera em um modelo similar a uma pequena empresa de seguros, mas neste caso específico, seu seguro é mais barato, e muito mais fácil de utilizar. A empresa utiliza tecnologia para quebrar antigas barreiras dos modelos P2P. Outro atrativo é poder receber seu dinheiro de volta no final do período da apólice no caso de não haver sinistros.

Para contratar um seguro basta baixar o App para smartphone e entrar em contato com a seguradora, esse atendimento é realizado por um AI Bot que identifica a possibilidade de realizar a contratação do seguro de forma autônoma ou se é preciso da interação humana. O usuário preenche algumas informações e em cerca de três minutos ele contrata o seguro. Em casos de sinistro o usuário faz o aviso pelo aplicativo, relatando as informações necessárias e já recebe o prêmio na hora.

A Lemonade também promete ser transparente, mostrando que tudo é gerenciado obtendo apenas 20% de taxa nas transações, os sinistros são sempre pagos rapidamente e o dinheiro que sobra também pode ser encaminhado para caridade.


As cidades estão cada vez mais lotadas, e ficamos horas em meios de transporte. Trabalhamos muito para ter acesso às infinitas opções de bens e experiências a serem consumidos.

Enquanto isso a tecnologia nos mantém conectados com todas as facetas da nossa vida simultaneamente, nos liga a pessoas próximas e distantes, amigos e parentes, entretenimento e trabalho, notícias e culturas globais, estamos constantemente sendo bombardeados de informação.

É difícil chamar atenção e se diferenciar em meio a tantos ruídos, consumidores já estão saturados de estratégias de publicidade para vencer a sua preciosa atenção, exigindo mais criatividade, e a necessidade de repensar o que pode tornar a sua marca digna de lealdade.

No mundo polarizado, existem os que buscam a agilidade superconectada, os que sonham com tranquilidade offline, assim como os que já questionam se tanta praticidade os torna preguiçosos. Por isso, organizações, estejam preparadas para oferecer interações fluidas que permitam alcançar esses desejos de forma personalizada.

“No último mês, eu desisti de


alguma compra porque na


minha opinião existiam


opções demais.


Eu não consegui escolher.”


18 a 29 anos : 49% concordaram


30 a 44 anos : 39% concordam


45 + anos : 27% concordam



Looking Further with Ford Trend Report 2017


Case Study

UBER DRONES

A Uber fez uma campanha de marketing em 2016 para divulgar o UberPool. Drones sobrevoaram as ruas da Cidade do México carregando mensagens sobre problemas de mobilidade.. Algumas frases diziam: “A cidade seria para você, não para 5,5 milhões de automóveis”; “Dirigindo sozinho? Por isso você não tem tempo para visitar os vulcões.”.

Existe um questionamento se esse tipo de propaganda é legal, o setor de Administração de Aviação Federal apontou que a iniciativa pode ser autorizada se o drone estiver sobrevoando carros parados, oferecendo proteção aos passageiros.

A ação pode ser vista como o futuro do marketing, é mais barato que um outdoor, chama mais atenção, e conquistou muitos pontos para a marca.


A televisão sempre foi o nosso foco principal, enquanto o que acontecia em nossos smartphones era apenas a “segunda tela”. Hoje, migramos cada vez mais para dar atenção a essa plataforma. Jovens se identificam mais com youtubers do que celebridades da novela, pessoas acompanham jogos esportivos via twitter e tem acesso a anúncios e novidades durante a rolagem do Instagram.

Tudo se conecta através dos smartphones enquanto cada vez mais objetos passam a ter uma conexão própria: carros, smartwatches, geladeiras, sistemas de segurança, e até impressos, permitindo uma variedade de novas interações, mais velozes e integradas aos diferentes momentos do nosso dia-a-dia.

Existem diversos serviços acionados e recebidos diretamente no carro, oficinas que vão até você, entrega de comida, e até a possibilidade de fazer reserva de restaurantes enquanto está a caminho.

Porque essa tendência é importante para o setor?

O mundo tem se tornado cada vez mais digital, com serviços sendo prestados em tempo real e entregues sob demanda de acordo com a necessidade do consumidor. Esse mesmo movimento que desmaterializou setores como entretenimento, hotelaria e transportes, deve alcançar o mercado segurador e transformá-lo completamente nos próximos 5 anos. Tornar-se uma empresa digital e conectada requer uma mudança de cultura por parte das seguradoras e representa um enorme desafio aos órgãos reguladores, pois nenhum desses mercados citados acima foram transformados por empresas reguladas pelos setores. A ruptura de todos eles, sem exceção, se deu por players vindos de fora do setor, ou seja, sem regulação.

Entretanto esse movimento tem se mostrado um caminho sem volta, quer estejamos preparados ou não para essa transformação. A única certeza que temos é que ela vai acontecer!

Entender o comportamento das pessoas para customizar suas ofertas oferecendo serviços sob demanda e em tempo real, ao invés das tradicionais apólices de seguro que talvez ele nunca chegue a utilizar; desenvolver novas aplicações com tecnologias que facilitem a vida das pessoas, ajudem na prevenção e tornem o seguro uma experiência de uso para o cliente, são apenas alguns exemplos de soluções cruciais para esse novo mercado de seguros. No futuro será imprescindível gerar valor de uso para as pessoas para que elas se mantenham fiéis a uma marca de seguros, visto que haverá menos espaço para concorrência, pois quem entregar a melhor experiência, tenderá a concentrar a maior parte dos clientes e a mantê-los no longo prazo. Um cliente só vai trocar de um provedor de serviços para outro por conta de uma melhor experiência de entrega.

Um desafio adicional para o Brasil está em seu tamanho, diversidade de perfis e realidades socioculturais, que irá exigir que, além de desenhar um modelo futuro, as seguradoras invistam também em um modelo de transição que lhes permita atender a essa geração conectada e a analógica com a mesma qualidade e transparência. A entrega de valor constante e personalizada por toda a vida do cliente será definitiva para que ele permaneça fiel à marca que adapte sua oferta de acordo com seu momento de vida, necessidades e contexto.

50

MIN

Um usuário média fica


50 minutos por dia conectado


ao Facebook, Instagram


e Facebook Messenger



Looking Further with Ford Trend Report 2017


Case Study

NAUTO

Nauto é uma empresa que produz um sensor que promete transformar qualquer carro em um carro inteligente. O sensor é conectado a uma plataforma de aprendizado artificial, que aprende com os motoristas, em diferentes locais, como tornar sua jornada mais segura. O aparelho oferece feedback em tempo real, avisando sobre comportamentos de risco em tempo real.

A empresa tem uma proposta específica de parceria para seguradoras. O sensor possui duas câmeras que permitem acessar diretamente o momento de um acidente tornando o processamento de sinistros mais fácil e diminuindo o risco de fraude. O equipamento também entrega uma análise completa do comportamento do motorista para fazer apólices personalizadas. O aplicativo também permite uma integração perfeita com seguradoras que já tem seu sistema moderno e na nuvem.


Falamos cada vez mais de flexibilidade e experiências, e o dinheiro passa a ser apenas um meio para vivenciar as novas possibilidades e bens materiais não são mais um fim. Qual a verdadeira conexão entre ter bens materiais e ser feliz?

Na realidade conectada onde o que importa é a experiência e não a posse, as plataformas fazem o papel de ligar pessoas com interesses em comum, com bens de troca e talentos relevantes, gerando um mercado paralelo de soluções compartilhadas.

Algumas plataformas permitem compartilhar a compra de experiências que são verdadeiros marcos de vida como casamentos, um lar ou a compra do primeiro automóvel. Na nova mentalidade onde o que vale é a experiência, e não a posse tudo isso é possível. No cenário dos pós-demográficos, morar no estilo de “repúblicas” faz todo sentido tanto para jovens, quanto para idosos, que buscam baixo custo, companhia, e praticidade.


Case Study

LUMOID

Lumoid é uma plataforma de aluguel e compra de eletrônicos. Eles dão a possibilidade de experimentar drones, câmeras, headphones e até fitness trackers. Se você gostar do dispositivo pode comprá-lo diretamente e ficar com o mesmo dispositivo que alugou.

A Lumoid não oferece seguro para os objetos, e indicam que o usuário consulte previamente a sua cobertura com plano terceirizado.


Status é definido por escassez e abundância, em um mundo que se encontra completamente saturado de bens materiais, as pessoas vão procurar o próximo símbolo de status, que é definido pela sua dificuldade de acesso.

Essa nova busca significa que posses terão um novo significado, e por isso muda também o foco do que deve ser valorizado e protegido.

Existem diversos serviços acionados e recebidos diretamente no carro, oficinas que vão até você, entrega de comida, e até a possibilidade de fazer reserva de restaurantes enquanto está a caminho.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Cada vez menos as pessoas estão dando valor para posses, e priorizam o acesso. Ou seja, as pessoas não compram mais bens como antigamente, elas compartilham carros, alugam cômodos na casa dos outros, entre outras coisas. O que antigamente era sinônimo de sucesso e estabilidade financeira, não faz mais tanto sentido hoje em dia.

O desafio do mercado segurador é entender o que as pessoas mais valorizam, o que elas realmente querem proteger. É preciso entender como ofertar produtos que certifiquem que as experiências mais intangíveis das pessoas também podem estar seguras. Também é preciso se adaptar a conceitos da economia compartilhada e da chamada gestão da transformação, ou seja, oferecer serviços e contratos mais curtos e momentâneos, adaptados às experiências efêmeras do cotidiano das pessoas.

Além disso, é preciso tornar a própria compra de seguros uma experiência inesquecível, oferecendo benefícios exclusivos e que façam sentido na vida de cada cliente. Uma empresa não pode mais se manter ancorada a ofertas que tem dado resultado nas últimas décadas. É preciso mergulhar cada vez mais nas tendências de médio e longo prazo, pois a sociedade já demonstra claramente que o comportamento está mudando cada vez mais rápido e abruptamente, e não irá mais dar nenhum passo para trás.

11%

Apenas 11% das pessoas da


Geração Y acreditam que ter


muito dinheiro é a definição


de sucesso.



Brian Solis, Future of Business, 2013



80%

80% das pessoas de 30 a 44


anos se incomodam com


pessoas que ficam


ostentando sua riqueza.



Looking Further with Ford Trend Report 2017


Case Study

FLIP

Flip é uma Startup que facilita o processo de leasing. No site da empresa o seu propósito fica em destaque: “Não planeje sua vida em torno dos termos de sua locação. Faça o que quiser, quando quiser, sem taxas ou problemas.” Destacando uma vida em busca de novas experiências (como acordar em frente a um jardim), aventuras, o trabalho dos sonhos e trocar para o melhor (como poder andar para o trabalho). A empresa cuida de todas as transações financeiras e legais pela sua plataforma, entregando para o usuário uma versão simples do que ainda é extremamente burocrático.


Diversas interações que dependiam de um espaço físico, um aperto de mão, ou um pagamento em dinheiro estão cada vez mais desnecessárias. Em um mundo onde tempo e conveniência são valiosos, a personalização é crucial, e a possibilidade de interagir com mercados globais está nas pontas dos dedos, negócios tradicionais vêm sendo substituídos por plataformas online.

A adesão a esse modelo está mudando o universo de negócios. Uma multidão de autônomos pode ser integrada, treinada, e avaliada em instantes para oferecer um serviço melhor do que um negócio tradicional oferecia há anos. Oferecendo todos os pedidos de consumidores e clientes utilizando a força da massa unida a tecnologia.

83%

83% das seguradoras esperam


que modelos de negócios


baseados em plataforma se


tornem parte de sua


estratégia de crescimento


em três anos.



Accenture Technology Vision for Insurance 2016


Case Study

YOCOIN

FYoCoin é uma “criptocorrência” peer-to-peer lançada em 2015. Ainda existe um debate muito grande se essa e outras moedas “Bitcoin” são válidas ou apenas um golpe. Em paralelo o movimento está crescendo e já gera serviços como a YoCoin Insurance.

A YoCoin Insurance é uma Startup tailandesa que oferece apólices de seguro inovadoras baseadas em blockchain. Seguindo o modelo peer-to-peer da moeda, os seguros também podem ser compartilhados dessa forma, os compradores são sempre chamados de investidores, e no caso de não acionarem sinistros no final do termo de apólice os usuários recebem o seu dinheiro de volta com lucro.


No mundo das plataformas nem só produtos tradicionais são negócios. Sua casa, seu carro, seus talentos, sua localização ou seu tempo podem ser rentabilizados. Atualmente quando arquitetos são contratados para fazer um projeto, já questionam se não vale a pena transformar uma área da sua casa para ser alugada no AirBnb.

Todas as novas trocas que surgem e se banalizam nessas plataformas estão canibalizando serviços com tradição e história. A única forma de se manter competitivo é oferecer uma entrega tão conveniente quanto a das plataformas.

As pessoas querem confiar nas plataformas porque a entrega é sedutora demais, mas na verdade vivemos um períodode segurança baixíssima, onde surge o “Trustless trust” onde as pessoas podem confiar no produto das transações, sem precisar confiar de fato nos atores envolvidos.

Falamos muito sobre como tornar essas interações cada vez mais fluídas e personalizadas, mas existe uma oportunidade imensa trazer segurança para todas essas trocas que inevitavelmente dominaram o nosso cotidiano.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Muitas pessoas não enxergam o valor de se ter um seguro, e veem apenas despesas e dores de cabeças. Além disso, muitas pessoas associam a ideia de seguros com “problemas”. Este é, atualmente, um dos grandes desafios das seguradoras: conseguir criar valor à uma experiência que é “evitada” pelo cliente.

Este desafio, porém, instiga as seguradoras em pensarem soluções inovadoras, e que podem ser exploradas como novas oportunidades. O compartilhamento de apólices, um preço variável após um certo período de tempo, uma unificação de seguros (carro/casa/vida), uma maneira de “alugar” o seguro, seguros voltados para pessoas e experiências ao invés de bens de consumo, seguros com tempo de vigência volátil. Estes são apenas algumas das soluções “malucas” encontradas, e que já começaram a ser testadas por startups do setor.

Encontrar maneiras de transformar os problemas em oportunidades deve ser uma competência chave para qualquer empresa que planeja ter sucesso no futuro. Qualquer coisa pode vir a se tornar uma fonte de renda, se for bem estudada e explorada com consciência.

81%

81% concordam que é mais


barato compartilhar bens do


que adquiri-los individualmente


76% Concordam que é melhor


para o meio-ambiente e


78% concordam que é melhor


para suas comunidades.


72% concordam que as


experiências de troca na


economia colaborativa não


são consistentes.



Pesquisa da PWC envolvendo 1000 consumidores nos Estados Unidos, Dezembro de 2014


Case Study

PEERSHIP

PeerShip é um serviço descrito como o “Uber da Entrega”, uma vez que opera de forma similar. Através da plataforma você pode solicitar serviços de entrega ou recebimento de pacotes de outras pessoas cadastradas.

O aplicativo conta com um sistema interno de notificação GPS que avisa quando alguém precisa de um serviço próxi- mo à sua localização. Um usuário pode estar passando por uma farmácia e receber o pedido que alguém precisa de um remédio. Os próprios usuários negociam o valor que acham justo pelo serviço, e se aceito, o pedido é retirado e a entrega é feita.


A ecologia é um assunto amplamente discutido há muitos anos, e espera-se que a maioria das empresas tenha essa preocupação. Atualmente a discussão que vem ganhando força é a sustentabilidade humana. Qual o impacto dos seus serviços no seus consumidores, colaboradores e comunidade?

Enquanto na América do Norte a maioria dos colaboradores querem saber como a sua empresa cuida do seu impacto ambiental, nos países em desenvolvimento as pessoas estão mais focadas no seu bem estar. Nesse cenário o foco na sustentabilidade humana ganha força em países como o Brasil e tem o potencial de realmente transformar a ótica das pessoas em relação a sua marca.


Case Study

MIGHTY

Mighty é uma plataforma online que auxilia pessoas a escolherem os bancos onde vão investir seguindo o critério de impacto social. O Mighty recolhe todas as informações complexas disponíveis sobre bancos e simplifica para que os usuários possam fazer uma escolha informada. “A longo prazo, nós esperamos que se torne normal ter um certo tipo de banco com um certo tipo de comportamento, da mesma forma que o Whole Foods e o Trader Joe’s são diferentes do Safeway ou 7-Eleven.”

O mais interessante da plataforma é permitir que as pessoas façam uma escolha em prol da comunidade de forma simples, que pela dificuldade de compreensão da informação seria uma tarefa apenas para especialistas.

Compreender o impacto social de um banco utilizando dados como reports e estatísticas é trabalho para um especialista. A maioria das pessoas hoje acaba fazendo essa análise pelas ações de marketing e branding da marca. O Mighty permite que as pessoas tenham acesso a essa informação de maneira simples e transparente, para que o usuário possa fazer essa escolha de forma educada.


Um dos principais insights para os próximos anos é que viveremos anos de instabilidade, com problemas complexos, e pedidos de soluções cada vez mais únicas. Isso tem impacto profundo em como as empresas devem estar estruturadas. É preciso abordar questões fundamentais como uma força de trabalho que se encontra completamente desengajada.


Case Study

KAMET

Kamet é uma incubadora de InsurTech criada pela AXA, com o propósito de conceitualizar, lançar e acompanhar produtos e serviços disruptivos para seus clientes. Os projetos selecionados são desenvolvidos por colaboradores da própria AXA ou empreendedores externos.

“A revolução digital está transformando a cadeira de valores dos seguros. A Kamet vai se tornar mais um pilar da nossa estratégia para conectar nosso grupo ao ecossistema das InsurTechs, junto ao nosso setor de identificação de tendências AXA Lab e o nosso setor de investimentos AXA Strategic Ventures…”


Uma forma de repensar a relação empresa e colaborador, é utilizar as mesmas lentes e energia que usam para compreender e melhor atender seus consumidores para cuidar dos seus. Se compreendemos que o consumidor pede flexibilidade, tratamento personalizado, e conveniência, porque não prover as mesmas qualidades para as equipes?

O objetivo é criar verdadeiros aliados da marca, empreendedores internos, que estão conectados com os propósitos da empresa e vão entregar o seu melhor para alcançá-los.

Precisamos rever modelos de liderança verticais e competitivos que não dialogam com os novos mindsets colaborativos. Colaboradores precisam ser motivados a experimentar, errar e tentar de novo, sem medo de represálias severas. É crucial que a tecnologia esteja inserida nos processos da empresa para libertar os colaboradores de tarefas sacais e permitam que utilizem sua criatividade para criar soluções para os novos desafios complexos. Também é preciso gerar canais de comunicação mais horizontais, permitindo que inovações sejam implementadas com facilidade e agilidade.

Os novos mindsets chegam cheios de vontade de trabalhar com propósito, querem ter impacto e participar tão ativamente do sucesso da empresa quantos seus CEOs, basta entregar a eles a oportunidade de fazê-lo.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Os profissionais estão mudando, requerendo cada vez mais liberdade de criação e flexibilidade. Profissionais pressionados e “enjaulados” não edificam pensamentos criativos e não se sentem realizados e satisfeitos ao final do dia, rendendo sempre no mesmo nível. Enquanto isso, profissionais empoderados e livres para arriscar e criar trazem mais ideias ao dia a dia e tornam-se “embaixadores da marca”, tratando a empresa em que trabalham como própria, e sempre se arriscando a irem além. Por isso, o nome “intraempreendedores”. Todos os funcionários devem ser empreendedores de suas empresas.

Esta mudança afeta principalmente as grandes empresas do mercado. Isso porque a maioria delas não possui a flexibilidade necessária para se situar dentro deste cenário. Este espaço para criação na rotina dos funcionários deve ser algo institucionalizado, que deve estar presente na estratégia da empresa. Caso contrário, a empresa corre o risco de perder os seus funcionários mais inovadores e mais promissores para outras empresas que possuam este perfil.

O ramo de seguros representa um desafio para os chamados “intraempreendedores”. Mesmo que a empresa providencie espaço para seus funcionários, a legislação antiquada limita o poder de criação deles. Assim, as mudanças criadas muitas vezes são internas, e dificilmente possuem uma visibilidade adequada do mercado. O grande desafio das grandes empresas é: possibilitar um ambiente propício para seus funcionários “pensarem fora da caixa”, e mesmo assim continuar respeitando todas as leis.

49%

49% das pessoas entre


18 a 29 anos não planejam


estar trabalhando para o mesmo


empregador nos próximos


5 anos. O número cai para 35%


entre pessoas de 30 a 44 anos,


e 29% das com mais de 45 anos.



Looking Further with Ford Trend Report 2017


Case Study

HOLOCRACIA ZAPPOS

A empresa Zappos e seu CEO Tony Hsieh são conhecidos por suas inovações, principalmente na área de cultura organizacional. A Zappos decidiu adotar um sistema de holocracia, abrindo mão de uma hierarquia tradicional e consequentemente dos cargos de gerência. Os cargos são substituídos por papéis, definindo as funções do colaborador sem um “chefe” que assume a direção da carreira dos seus subordinados.

O modelo impulsiona pessoas a terem mais responsabilidade e proatividade em um sistema que permite autonomia, acelerando a inovação e a implementação de mudanças na empresa. Especialistas especulam que o modelo só funcionará em empresas com maturidade para a tarefa, e isso não significará resultados, mas a capacidade dos seus colaboradores se desenvolverem.

Os desafios do modelo vão de encontro a muitas das tendências da sociedade sendo discutidas atualmente, como a busca de status através do seu poder aquisitivo e cargo. A holocracia ainda é um termo relativamente novo, mas já existem outras empresas implementando o modelo, como a Morning Star, líder mundial na produção de tomates.


Storytelling é a arte de contar histórias de maneira relevante. O Storytelling se tornou uma ferramenta fundamental para se diferenciar em um mercado globalizado, com muita concorrência e uma imensa quantidade de marcas brigando por visibilidade e engajamento.

Cruzando as informações de tendência e a massificação do Storytelling é possível interpretar que uma nova ferramenta será necessária para os novos tempos. Desse movimento surge o Storydoing onde as narrativas engajadoras são criadas através de ações.


Como identificamos um empresa que faz storydoing?


(1) Elas têm uma história


(2) A história é sobre uma ambição maior que torna o mundo melhor para as pessoas.


(3) Essa história é compreendida e têm importância para os seus líderes e executivos, não só para o pessoal do marketing.


(4) A história é utilizada para impulsionar ações na empresa: no desenvolvimento de produtos, políticas do RH e compensações.


(5) Essas ações embasam outras ações da empresa de forma coerente.


(6) Consumidores e parceiros são motivados a se engajar nessas histórias que consequentemente impactam as suas próprias vidas.


Ty Montague, Harvard Business Review

74%

74% dos consumidores


chineses dizem que no


momento da compra refletem


sobre o impacto de um produto:


se faz parte de uma cadeia


sustentável no sentido humano


e ecológico ou se a marca


doa uma porção do seu


lucro para caridade.



Mastercard, Abril 2015


Case Study

SIDEWALK LADS

Sidewalk Labs é uma empresa Google que trabalha em parceria com cidades para resolver problemas urbanos. A empresa está criando uma plataforma e vários aplicativos para acelerar as inovações urbanas pelo mundo.

Um dos pilares da empresa é que estamos vivendo a revolução da tecnologia digital, e essas ferramentas têm a capacidade de resolver os sérios desafios urbanos que encontramos, respeitando a privacidade e servindo como uma ponte para o futuro.

A empresa enxerga como principais desafios: o alto custo de vida, problemas de mobilidade, crises de saúde pública e dependência nos combustíveis fósseis.


No movimento de honestidade e transparência, as pessoas passaram a reconhecer empresas que só dizem que são legais. Elas querem se conectar a marcas que realmente tem propósito. Honestidade quer dizer que essas ações não são apenas um discurso, mas fazem parte do seu núcleo corporativo, e estão realmente integradas a todas as soluções da empresa.

Marcas unidas por propósito vão estar passos a frente na hora de criar culturas dinâmicas, inteligentes e fiéis, prontas para os novos desafios. Consequentemente vão estar preparadas para gerar lealdade e fidelidade de clientes que não criam mais esse vínculo em troca de status ou confiança.

Porque essa tendência é importante para o setor?

Introduzir ao cotidiano da empresa prioridades ligadas à responsabilidade ambiental e social não é mais uma opção dentro das companhias, é um dever, que é cobrado e avaliado pelo mercado, tal como alinhamento ético e moral.

Não traz solidez demonstrar ações da companhia apenas através de campanhas e anúncios, o que é cobrado pelos consumidores são projetos e impactos comprovados. É necessário mostrar ao público as ações desenvolvidas, e trazê-lo para perto para conferir que não são só promessas e palavras bonitas, são atividades reais, que causam impactos reais. Tem que haver propósito, não pode ser só uma campanha de marketing.

As companhias que já tem iniciativas alinhadas a tais causas devem mantê-las, fortalecê-las e fomentar cada vez mais o engajamento dos seus colaboradores, além de divulgá-las. Abrir as portas da companhia para o público poder vivenciar as experiências que são proporcionadas pode servir como um novo canal de divulgação da empresa, uma vez que é permitido às pessoas que criem sua própria visão sobre a companhia.

69%

69% dos adultos globais


acreditam que boicotar uma


marca pode mudar o comportamento


corporativo para o melhor.



Looking Further with Ford Trend Report 2017


Case Study

AIRBNB & SOLARCITY

O Airbnb e SolarCity estão se associando para oferecer alguns incentivos às pessoas que montarem painéis solares em suas residências.

Os hosts do Airbnb que se inscreverem e instalarem painéis solares através SolarCity são elegíveis para receber até US$1.000 em retorno monetário. Além disso, os novos e atuais clientes do SolarCity que se inscreverem como hosts do Airbnb recebem US$ 100 em créditos de viagem por meio da empresa de compartilhamento de imóveis.

O Airbnb estima que no ano de 2015 seus clientes reduziram o consumo de água em 4,2 bilhões de litros, os resíduos em 37.000 toneladas métricas, o consumo equivalente a 280.000 casas e as emissões de gases de efeito estufa equivalente a manter 560.000 carros fora da estrada.

As empresas também destacam a popularidade de energia limpa e programas sustentáveis entre os Millennials, um grupo de consumidores que o Airbnb almeja ativamente. Em agosto, a empresa divulgou os resultados de uma pesquisa que se mostrou um serviço popular entre esses jovens adultos.

O foco nas casas de clientes do Airbnb também vem encorajando os proprietários a investirem em suas casas e torná-las sustentáveis.


Existe uma metáfora comum que associa grandes empresas a um navio e pequenos negócios a lanchas. Em um cenário onde se demanda agilidade, flexibilidade, proximidade, e personalização, as lanchas parecem ter uma grande vantagem. Mas todas os desafios podem se tornar oportunidades com visão, planejamento e ação.

As tendências permitem entender conexões entre diferentes acontecimentos na sociedade para compreender melhor um cenário complexo, vendo a sociedade de forma micro e macro simultaneamente. Se por um ângulo grandes empresas são menos ágeis, existem diversas inovações que permitem tornar as suas soluções dinâmicas. Se as pessoas preferem resolver tudo em um só lugar, organizações com uma estrutura massiva tem os recursos para ampliar sua presença e entregar esse novo pedido.

Além da visão que enxerga oportunidades e não problemas, também é preciso ter um processo contínuo de mapeamento e análise do comportamento humano: do que as pessoas desejam, de como estão agindo; olhando sempre pela perspectiva do consumidor, colaborador e comunidade.

Identificamos um mundo que precisa de inovação. O livro “Little Bets” de Peter Sims mapeou que existem dois tipos de inovadores, os conceituais que se dedicam a suas filosofias inovadoras, e os experimentais, que aceitam falhas, e abraçam o processo de prototipagem.

Em um futuro polarizado e caótico a estratégia experimental é um caminho interessante, onde temos liberdade de criar diversos cenários possíveis e ir aumentando nossas apostas em um caminho de acordo com mudanças e experiências.

Tem um monte de detalhe e de iniciativa rolando, só esperando alguém amarrar tudo isso. A grande questão é: quando o brasileiro vai parar de enxergar só o preço."


Jose Prado, Especialista em Fintech e Insurtechs



O que nós tentamos é olhar para o total e gastar 70% do orçamento no que sabemos que funciona bem, 20% em coisas mais inovadoras, mas que funcionam, e 10% em ideias totalmente novas.”


Jonathan Mildenhall, vice-presidente global de marketing estratégico e comunicação criativa da Coca-Cola


Case Study

Coca Cola Company 70/20/10

A Coca Cola Company criou a regra de 70/20/10 para definir seu orçamento para desenvolvimento de conteúdo e investimentos. O conceito auxilia o departamento de marketing a dividir o budget pelo critério de: “now, new and next” ou “agora, novo e futuro”.

No “agora” tem-se 70% para o básico: atividades que não demandam muito tempo e pagam as contas como vídeos, criação de conteúdos simples e SEO. No “novo”, 20% para o desenvolvimento de conteúdo original, inovador e profundamente engajador, para públicos mais específicos, que, nesse setor, significa: mídias sociais e marketing mobile. No “futuro” 10% são para ideias de alto risco mas com alta recompensa, destinados àquilo que ainda não foi testado, novas formas de se conectar a públicos que provavelmente se tornarão os 20% e os 70% no futuro.

A estratégia da Coca-Cola é um exemplo de modelo de inovação focada em marketing, mas que poderia ser adaptada a diversos setores de uma empresa. É um sistema que permite que a empresa se mantenha sempre atual e preparada para o futuro que rapidamente se torna o presente.


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